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terça-feira, 22 de novembro de 2011

OMG News: Acre é o primeiro estado do Brasil a ensinar budismo e islamismo em escolas públicas

Proposta de ensino religioso plural é pioneira no país.

Hoje (21/11), durante a abertura da Primeira Conferência Estadual da Diversidade Religiosa no Acre foi apresentada uma proposta curricular de ensino religioso plural nas escolas públicas.

Promovido pelo Instituto Ecumênico Fé e Política e pela Secretaria Estadual de Educação, na abertura do evento ouviram-se orações de Joaquim Pertiñez, bispo do Acre, e da Mãe Raimundinha, que dirige um centro de umbanda.

O objetivo da conferência é reforçar a identidade dos principais grupos religiosos do Acre e fazer com que a escola pública seja “um espaço democrático e pluralista”. A proposta do Instituto Ecumênico, através de uma cartilha, é capacitar os professores para promover o diálogo inter-religioso, além de estimular entre os alunos a tolerância às diversas expressões de fé.

Os participantes da conferência entendem que o reconhecimento da diversidade religiosa é necessário por causa da grande desinformação e de preconceitos existentes em relação a outras tradições religiosas. Na avaliação deles, existem algumas atitudes fundamentalistas de grupos majoritários cristãos que tem afetado o restante da população.

“Nosso objetivo é a construção da paz, da cidadania, da democracia e do respeito aos direitos humanos”, afirmou Manoel Pacífico, ex-padre e ex-deputado do PCdoB, que hoje dirige o Instituto Ecumênico. Ele explica ainda que sua entidade é “suprapartidária, comprometida com a justiça social e o respeito à diversidade cultural e religiosa”.

Assim como os demais Estados do Brasil, o Acre possuía uma população predominantemente católica, mas nos últimos anos viu um rápido crescimento da população evangélica e dos “sem religião”.

O governador em exercício César Messias e os secretários de educação Daniel Zen (estadual) e Márcio Batista (municipal) também estavam presentes na abertura da conferência.

Márcio Batista defendeu que a cartilha intitulada “Muitos são os caminhos de Deus” seja adotada como proposta curricular para o ensino religioso em todas as escolas públicas do Acre. Daniel Zen afirmou que essa proposta curricular para o ensino religioso provavelmente será adotada no Estrado já a partir do próximo ano.

O Instituto Ecumênico Fé e Política formulou sua cartilha sobre diversidade religiosa  depois de quase seis anos de encontros realizados, no primeiro momento, com representantes católicos e evangélicos. Aos poucos, as reuniões passaram a contar com representantes espíritas, daimistas e de religiões afro, como o candomblé e a umbanda. A proposta é que seja ensinada a história e as crenças principais de todas as tradições espirituais, como indígena, islâmica, budista, fé bahai e Seicho-no-iê.

Identificando-se como católico, César Messias destacou a importância dessa disposição ecumênica, reconhecendo o importante trabalho social das igrejas evangélicas no Acre.

Depois, revelou que também costuma participar de cultos evangélicos e de rituais daimistas, onde se faz uso do chamado “santo daime”, bebida alucinógena feita a partir de um tipo de cipó da Amazônia.

“Eu me sinto muito bem quando participo dos cultos da Assembleia de Deus ou quando me reúno com jovens da igreja batista. Mas também me sinto muito bem quando tomo daime. Ninguém pode afirmar que o daime é uma droga. Só sabe o que é o daime quem toma o daime”, afirmou o governador.

Com informações Terra

sábado, 12 de novembro de 2011

OMG News : Conselho quer impedir que haja proselitismo no ensino religioso

O CNE (Conselho Nacional de Educação), que é ligado ao Ministério da Educação, quer impedir que as religiões façam proselitismo nas escolas.

César Callegari, presidente de uma comissão do CNE que se dedica ao tema, informou que o órgão vai divulgar no começo do próximo ano um documento sobre a atual situação do ensino religioso e o que poderá ser feito para enquadrá-lo na laicidade.

O documento vai questionar o acordo que o Brasil assinou com o Vaticano estabelecendo que esse tipo de ensino deve ser dado por representantes da Igreja Católica ou por de outras religiões.

“Estamos preocupados com os problemas que esse acordo pode trazer”, disse ele ao iG. “Devemos fazer de tudo para proteger o Estado laico.”

O ensino religioso é facultativo aos alunos, mas as escolas públicas são obrigadas a oferecê-lo, de acordo com a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação).

O professor de religião tem de ser isento, sem manifestar qualquer dogma, mas não é o que ocorre em muitos casos. Na prática, os estudantes acabando sendo alvo de proselitismo, principalmente do católico.

“Precisamos garantir o cumprimento do que está na lei de maneira adequada”, disse Callegari.

Ele vai discutir o assunto com o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Carlos Ayres Brito, que é o relator de uma ADIN (Ação Direta de Inconstitucionalidade) proposta pela Procuradoria Geral da União para que se discipline o ensino religioso e se invalide o acordo Brasil-Vaticano.

Entre os líderes religiosos, não há consenso. Alguns deles são contra o ensino religioso por entenderem que, do jeito que está, a Igreja Católica é única beneficiada.

Fonte: paulopes

sábado, 20 de agosto de 2011

OMG News : Com 425 mil professores de religião, país ainda não tem critérios claros para formação na área

Na rede estadual do Rio de Janeiro, por exemplo, para ser professor de ensino religioso, basta ter licenciatura em qualquer disciplina.

Um professor capaz de abordar aspectos de todas as religiões, sem privilegiar nenhuma delas. Especialistas em educação acreditam que esse deve ser o perfil do profissional responsável pelas aulas de ensino religioso, cuja oferta é obrigatória nas escolas públicas de ensino fundamental do país. Mas, como cada unidade da federação, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), é responsável por definir critérios para contratação dos profissionais, não há um parâmetro que estabeleça as qualificações e competências mínimas desses professores, que hoje somam 425 mil em todo o país.

Segundo dados do Censo Escolar de 2010, a atividade é exercida majoritariamente pelas mulheres - 88% dos responsáveis pela disciplina são do sexo feminino. Mais da metade (56%) tem ensino superior completo com formação nas mais variadas áreas. Biólogos, historiadores, químicos, licenciados em letras e até matemáticos assumem, nas salas de aula, a função de professor de ensino religioso. A maioria tem formação em ciências da educação (em geral, graduados em pedagogia) – 63 mil dos 425 mil que exercem a função.

Na rede estadual do Rio de Janeiro, por exemplo, para ser professor de ensino religioso, basta ter licenciatura em qualquer disciplina. O estado conta com 600 docentes concursados e uma nova seleção deve ser aberta ainda este ano para preencher 300 vagas. As aulas são oferecidas em 470 das 1.454 escolas estaduais. Segundo a coordenadora de Ensino Religioso da Secretaria de Educação, Maria Beatriz Leal, há déficit de professores.

Há um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Vereadores da capital fluminense que prevê a ampliação da oferta da disciplina para as cerca de mil escolas municipais. A recepcionista Jussara Figueiredo Bezerra tem dois filhos, um de 10 e um de 8 anos, que estudam em uma escola municipal da zona sul. Evangélica, ela acompanha com certo receio o debate sobre a proposta porque acredita que esses valores devem ser transmitidos em casa, pela família.

“Quem são os professores que vão dar as aulas de religião? Será que eles serão imparciais? Além disso, com tantas dificuldades e carências que o ensino público já enfrenta, por que gastar dinheiro com isso? Esses recursos poderiam ser usados de outra forma, para melhorar a estrutura já existente nas escolas. Quem quiser aprender mais sobre uma religião deve procurar uma igreja ou uma instituição religiosa”, disse.

Em Brasília, Lídia Said trabalha, há 20 anos, como professora de ensino religioso para turmas do 5º e 6º anos do ensino fundamental. Graduada em educação física e psicologia, a educadora defende que a disciplina é importante para a formação dos jovens e que as orientações curriculares da Secretaria de Educação do Distrito Federal são suficientes para assegurar um conteúdo que não privilegie nenhuma crença. “Seria impossível alguém falar que nós temos que trabalhar todas as religiões porque a cada dia surge uma nova. Mas os grandes grupos a gente consegue trabalhar”, diz, mostrando um livro com informações e imagens sobre símbolos de diferentes credos.

O caminho encontrado por Lídia para contemplar essa diversidade é abordar o que ela chama de valores universais de todas as crenças, como o respeito ao próximo e a paz. “O nosso programa trabalha a formação da pessoa. Quem não quer ter uma vida mais segura em relação à violência ou à corrupção? Isso quem fornece é a formação religiosa e não outra disciplina. O ensino religioso trabalha uma busca interna, que é de todo o ser humano, independentemente da sua crença”, defende a professora.

Católica, Lídia não costuma perguntar aos alunos qual a religião de cada um, mas estimula que eles troquem informações sobre as diferenças em rituais ou princípios em que acreditam. “Isso me ajuda [não saber a religião de cada um] porque sei que tenho que usar uma linguagem muito neutra e com o foco sempre em Deus”, conta.

Nas aulas entram temas como a morte da cantora Amy Winehouse –que Lídia aproveitou para falar sobre o uso de drogas e a valorização da vida –até passagens bíblicas. Se os alunos perguntam sobre sexo, ela também fala sobre o tema.

Segundo a professora, muitos estudantes contam que não tem o hábito de frequentar espaços religiosos, e a maioria das famílias não se preocupa com esse tipo de formação. “E isso, para mim, é mais um motivo para que a escola tenha formação religiosa. Ele precisa saber que Deus existe, seja Alá ou Jeová. Ele precisa saber que Deus existe e que ele [aluno] é amado. A escola pode despertar isso”, avalia.

O Fórum Nacional Permanente do Ensino Religioso (Fonaper) defende a importância da disciplina nas escolas, mas reconhece a necessidade de que se estabeleçam critérios claros sobre a formação profissional para que os princípios constitucionais – laicidade do Estado e obrigatoriedade do ensino religioso sem proselitismo – sejam respeitados.

“Uma pessoa sem formação dificilmente conseguirá falar com base em um ponto de vista científico sobre essa diversidade religiosa. A gente precisa ter uma formação que consiga trazer a diversidade com propriedade, com olhares das várias ciências humanas e sociais para que o olhar do professor seja o mais amplo possível, que ele se dispa de preconceitos e que, embora tenha seu credo ou não, ele possa trabalhar com bastante seriedade e sem proselitismo na prática pedagógica”, defende Elcio Cecchetti, coordenador da entidade.

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 27 de julho de 2009

OMG News: A direita cristã quer interferir mais uma vez no currículo das instituições de ensino americanas.


Após tentar banir as idéias evolutivas de Charles Darwin das aulas de biologia, evangélicos agora querem convencer as autoridades do Texas do papel do cristianismo na história dos Estados Unidos. Leia mais aqui...

quarta-feira, 15 de julho de 2009

OMG News : Polêmico Estatuto da Igreja Católica será votado nesta quarta-feira



A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados deve discutir e votar, hoje, quarta-feira, o Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil (MSC) 134/09. O estatuto é polêmico porque, entre outros temas, aborda questões ligadas ao ensino religioso e ao casamento.
O acordo, firmado entre o governo brasileiro e o Vaticano no fim do ano passado, tem parecer favorável do relator, deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG).
Leia mais aqui...

domingo, 29 de março de 2009

MG News : Igrejas defendem a rejeição de acordo entre Brasil e Vaticano

Contrários ao acordo assinado entre Brasil e Santa Sé em novembro de 2008, igrejas, grupos religiosos, especialistas e deputados pedem a rejeição do texto pelo Congresso Nacional. Religiosos alegam que documento sugere prevalência da fé católica; CNBB nega privilégios e diz que Santa Sé tem acordos com 70 países.
O documento, que levou mais de um ano para ser costurado -era pleiteado pela Igreja Católica havia mais de uma década-, foi assinado no Vaticano durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao papa Bento 16 e deve chegar à Câmara nos próximos dias.
Segundo denominações religiosas e até grupos católicos defensores do Estado laico, o documento sugere a prevalência da fé católica sobre as outras e ameaça o ensino leigo em escolas públicas.
A falta de discussões públicas sobre o acordo também é alvo de críticas.
O Colégio Episcopal da Igreja Metodista fez uma declaração pública pedindo a sua não aprovação, por considerar que ele fere o artigo 19 da Constituição -que veda relações de dependência ou aliança entre a União e igrejas e a "distinção ou preferência entre brasileiros". "Reafirmamos o direito da liberdade religiosa como um dos pilares indispensáveis de uma sociedade democrática", diz a nota.
Coordenadora do grupo Católicas pelo Direito de Decidir, Maria José Rosado Nunes lembra que o Brasil nunca precisou assinar acordos semelhantes porque a liberdade religiosa é garantida. "Foi um acordo costurado às escondidas da sociedade", diz. Ela acredita que a redação indica a prevalência de uma religião. Como exemplo, cita o trecho do texto que diz "O ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas".
A professora ressalta ainda a vantagem da Igreja Católica no ensino religioso em escolas públicas: "Com todo seu poder no campo da educação, ela mobiliza todo seu aparato para fazer do ensino um ensino católico".
Tímido
O coordenador de Projetos do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP, Francisco Borba Ribeiro Neto, discorda do argumento de que o acordo privilegie a fé católica: "O acordo é até tímido, genérico demais".Ribeiro diz que a todo o momento o texto reforça que os tópicos estão sob leis brasileiras -"o acordo não faz nada além de normatizar o que já existe"- e cita a peculiaridade da Igreja Católica de ter se constituído como Estado autônomo: "É um acordo entre Estados".
O antropólogo Emerson Giumbelli, professor da UFRJ, cita exemplos em que o texto vai além da ratificação. São os artigos que tratam da anulação de casamentos religiosos, o não vínculo empregatício de sacerdotes e, ao falar do ensino religioso público, aquele que permitiria legislar sobre outras confissões e insinuaria maior pertinência de uma religião.
"Precisamos de um acordo dessa natureza no Brasil democrático de hoje? Quais seriam os impactos sobre outras confissões em um país que abriga tantas delas e procura hoje tratá-las com igualdade?
"Desde a assinatura, a CNBB tem se esforçado para explicar que não há privilégios ou discriminação. "O reconhecimento do Estado laico é um valor", afirma o presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha.
O Vaticano, Estado reconhecido pela ONU, tem tratados desse tipo com cerca de 70 países.Um dos principais objetivos da Igreja Católica é organizar questões jurídicas, inclusive trabalhistas. A Santa Sé reivindicava que não se reconhece vínculo empregatício entre os ministros ordenados: nos últimos anos, houve casos de padres que, ao deixar o sacerdócio, buscavam indenização.
O mesmo ocorreu com fiéis que prestavam trabalho voluntário.Pelo menos dois deputados federais foram a público criticar o acordo. Arolde de Oliveira (DEM-RJ), que é ligado à Igreja Batista, afirma que não é uma questão religiosa, mas de respeito à Constituição. Já o deputado federal José Genoino (PT-SP) afirma que suas restrições se baseiam na defesa do Estado laico.
Ele quer solicitar audiências públicas no Congresso.
Depois da assinatura do acordo, o Ministério das Relações Exteriores enviará o documento para a Casa Civil, que o remeterá à Câmara. Na Comissão de Relações Exteriores, o texto se transformará em Projeto de Decreto Legislativo. Antes de ir a plenário, passará pela Comissão de Constituição e Justiça. Se aprovado na Câmara, tramitará ainda no Senado.
Fonte: Folha de São Paulo

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